Ode às mortes inocentes e indecentes (Crianças da Síria e Marielle Franco – presentes!)

Marielle

Será que vale poetar

A morte de um inocente?

Será a poesia um alívio

À revolta que se sente?

 

Quantos milhares de versos

Há que se tecer no mundo

Para explodir em poesia

Um grito de horror profundo?

 

Numa Síria em convulsão

São crianças massacradas,

E nas escolas da América

São crianças fuziladas.

 

São mulheres violentadas,

São negros que morrem mais,

Em toda parte a injustiça

Despedaça a nossa paz!

 

É Marielle que morre!

Nove tiros sem piedade!

Extinta uma voz de luta

Pela paz, pela igualdade!

 

Apesar de meus irmãos,

Os homens que querem paz,

De Jesus, Francisco, Gandhi

Mostrarem como se faz,

 

Preciso dizer que a guerra,

A violência e a injustiça

São obras do homem macho

Que o sangue no mundo atiça.

 

Os exércitos que matam?

A polícia que tortura?

Os governos em confronto?

Corrupção, ditadura?

 

Tudo ou quase tudo é obra

Da virilidade bruta,

Que quer trucidar veados,

E trata a mulher por puta.

 

O mundo ainda se move

Por estruturas brutais!

Foi a história que se fez

Em milênios patriarcais.

 

Eduquemos pois meninas

Delicadas e guerreiras,

Maternas e lutadoras,

Filósofas e parteiras!

 

Mas eduquemos meninos

Convictos na compaixão,

Sem vergonha de pensar

Também com o coração!

 

Meninos que se recusem

A fabricar armamentos,

A lucrar com a desgraça

E a reprimir sentimentos.

 

Homens que jamais aceitem

Bombardear um país,

Atirar numa criança,

Fazendo o mundo infeliz!

 

Homens que saibam enfim

Que tem em si luz divina!

E que em seu ser imortal,

Há uma parte feminina!

 

Saibam todos que Deus pai

É também Deusa materna,

E devemos caminhar

Para uma irmandade eterna!

 

Homens, mulheres do mundo!

Sejamos todos mais ternos,

Abrindo a trilha ao futuro

Com humanos mais fraternos!

 

Não deixemos que essas mortes

Tenham todas sido em vão!

Semeemos nesse mundo

Um pouco de coração!

 

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9 respostas para “Ode às mortes inocentes e indecentes (Crianças da Síria e Marielle Franco – presentes!)

  • Zilda S Maciel

    Muito triste!!!Até quando?Que encontrem a paz e nossas vibrações.Beli poetar!

  • Jorge Leite de Oliveira

    Belo poema. Também penso assim. Salvo que a violência é do espírito desequilibrado, seja ele homem ou mulher. Uma menina linda acaba de ser torturada até a morte… por pai e mãe. Não é chocante isso? Por mãe e pai. Que monstros são esses! Trataram a linda filha como se fosse lixo. Algo imprestável que precisava ser extinto. Roguemos a Deus que tais pessoas não sejam presas, mas internadas num manicômio para doenças mentais.

  • Adão de Araujo

    Belo poema. Parabéns! Expressa nosso sentimento de perplexidade, de dor mas, também de esperança. Graças à Deus, um dia não haverá mais tanta dor!

  • Adao Araujo

    Bom dia. Gostaria de receber, se for possível, permissão para compartilhar em minha página no Face Book. Agradeço antecipadamente. Muita paz.

  • JOSE ZIDDE

    Dora, como sempre espetacular!!!

  • José Soares

    Dora,você é um Oásis neste deserto do Movimento Espírita.Tenho 69 aos de idade e mais de meio século de convivência com o meio Espírita.Sou Espírita pura origem não misturo a Doutrina Espírita com o joio que a própria lama o alimenta.Vá em frente tens minhas preces a Deus.

  • Janilce Janis

    Incontestável, que sou sua fã! Seu Ode me fez sentir o quanto dói tudo isso. Não adianta se perguntar até quando? Pois tudo tem seu tempo e Deus Pai/Mãe, sabe o que faz.Tudo está sob o absoluto controle Dele, tenho certeza, mas o coração se aperta com tantos irmãos em dor. Vou repassar seu Ode (com os devidos créditos), para que mais pessoas parem pra pensar e se conscientizar. Bjs querida Dora. Saudades de você.
    Janilce

  • José Romero Gomes da Silva

    Uma fusão de sentimentos que torna impossível encontrar caminho para uma razão lógica diante de consequências tão monstruosas para a humanidade.

  • José Romero Gomes da Silva

    Dora, só mesmo sua sapiência e espiritualidade para imergir em palavras balsâmicas em meio a fatos tão lamentáveis.

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