Arquivo do mês: maio 2012

Manifesto pelo colo

Para os tecnicistas desumanizados de plantão, para os que medicalizam a educação, para os que não querem ter trabalho ao cuidar das crianças, para os que temem se envolver emocionalmente com bebês e crianças (como se isso fosse possível e desejável!), para os que colocam as regras institucionais acima das carências humanas, para os que não entendem nada do sentimento humano de aconchego… para esses que negam ou acham que devem negar ou mandam que outros neguem o sagrado dom do colo para as crianças, vai esse manifesto poético.

Bebês precisam de colo, crianças precisam de toque e carinho, suavidade e afeto. Todos precisamos. Mas a criança precisa disso para se desenvolver bem, saudável, confiante, tranquila. Não se acostuma mal a criança por se dar colo. Ao contrário, acostuma-se mal quando não se dá. Ela experimenta a sensação de abandono, frieza, desconforto. Não se sente amada e protegida. Como nos comunicamos com um bebê? Em primeiro lugar através do toque, do abraço, do afago; depois da tonalidade amável e doce da voz… Precisamos recuperar essa sensibilidade instintiva que a nossa civilização tecnocrata abafou e proibiu.

Sim, bebês e crianças pequenas querem, pedem e precisam de COLO! Vamos oferecer o nosso e isso nos fará muito bem!

A semente que será
Árvore vinda do solo,
O que é que a terra lhe faz?
Acolhe-a e lhe dá colo!
 
As aves que vão e vêm
No mundo de polo a polo,
Nos ninhos sob suas asas
Aos seus filhotes dão colo…
 
A cadela vigorosa
Com que no jardim eu rolo,
Como mãe se transfigura,
Lambendo a cria, dá colo!
 
O pinguim na fria neve,
A águia em seu voo solo,
A leoa na campina,
Aos seus rebentos dão colo!
 
E eu como humano adulto
Se em sofrimento me esfolo
Que mais queria ganhar
Que um quente e materno colo?
 
Filhotes, crianças, homens,
Tudo o que vive e respira,
Quer aconchego e carinho
E não dureza que fira!
 
O bebezinho quer colo
E a criança, ser tocada
Porque é só no pele a pele
Que se saberá amada!
 
Não há choro, não há dor
Nem birra, nem gritaria,
Que um toque suave e terno
Não transforme em calmaria!
 
A criança respeitada
Acalentada, cuidada,
Acolhida o tempo todo,
É criança equilibrada!
 
Nada de teses frias
E os adultos no embaraço!
A criança quer afeto
Com toque, beijo e abraço!
 
Para fazermos do mundo
Um lugar acolhedor,
Saibamos dar às crianças
O nosso colo de amor!
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